A polêmica envolvendo a ampliação do Complexo Turístico do Morro do Careca com a aquisição de um terreno da Embraed, ganhou novos desdobramentos em Balneário Camboriú após declarações do diretor-presidente da BC Investimentos, Fábio Fiedler, durante entrevista realizada na terça-feira, 14 ao programa Bote a Boca no Trombone, da Rádio Menina.
Na entrevista, Fiedler saiu em defesa do projeto que prevê a desapropriação de uma área na base do morro para implantação de estacionamento e melhoria de acesso ao complexo. Segundo ele, a medida é necessária para corrigir falhas do contrato original de concessão (firmado na gestão passada da prefeitura), que, de acordo com sua avaliação, foi elaborado sem estudos adequados.
“O Morro do Careca teve apenas o topo concessionado, sem acesso, sem estacionamento, sem estrutura. Estamos ajustando o projeto para que ele funcione de fato”, afirmou.
Fiedler também rebateu as críticas do vereador Marcelo Achutti, classificando parte das manifestações como desinformação e até “falácia”. Ele reforçou que o município não fará desembolso direto em dinheiro, já que a desapropriação será viabilizada por meio de potencial construtivo e compensada com o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.
“A prefeitura não está tirando dinheiro da saúde ou da educação. O investimento será compensado com aumento de outorga e retorno econômico do empreendimento”, disse.
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Resposta veio da tribuna
As declarações provocaram reação imediata do vereador Marcelo Achutti, que utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores para rebater o posicionamento do gestor e intensificar as críticas ao projeto.
Achutti questionou principalmente a negociação envolvendo o terreno, afirmando que o valor teria sido reduzido de cerca de R$ 70 milhões para pouco mais de R$ 10 milhões.
“Como é que se baixa uma avaliação de 70 milhões para 10? Isso precisa ser explicado à população”, declarou.
Durante o discurso, o parlamentar elevou o tom, incluindo menções a episódios passados envolvendo Fiedler e afirmou que não irá recuar nas críticas. Achutti citou a “Operação Tapete Negro” e afirmou que o diretor possui “imagem negativa”, mencionando investigações.
“O próprio promotor de justiça, o doutor Jean Forest, é ele que denunciou o esquema do tapete preto (o correto é Tapete Negro). Esse mesmo que conhece os modus operandi que o senhor trabalha. Pode ter certeza, a partir do dia de hoje o senhor não arrumou um adversário, o senhor arrumou um calo no seu sapato
Ao final de sua fala, o vereador prometeu “continuar fiscalizando” as ações da BC Investimentos.
“O senhor veio com 38, velho, eu vou devolver uma bazuca. Uma bazuca, demonstrando a sua incompetência administrativa”.
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Operação Tapete Negro
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deu decisão final ao caso “Tapete Negro”, ligado à gestão do ex-prefeito João Paulo Kleinubing, em Blumenau. A operação investigou um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvio de verbas públicas envolvendo a administração municipal e a extinta Companhia Urbanizadora de Blumenau (URB)
Na esfera criminal, todos os denunciados foram absolvidos. Já na esfera eleitoral, o TRE reconheceu que houve abuso de poder, relacionado ao uso de servidores públicos para fins eleitorais, e aplicou multas entre R$ 10 mil e R$ 25 mil, corrigidas desde 2012.
O processo se arrastou há 13 anos e já teve idas e vindas na Justiça. Inicialmente, resultou na inelegibilidade e não diplomação de vereadores, entre eles Fábio Fiedler. Posteriormente, decisões foram anuladas e revistas pelo TSE e pelo próprio TRE.
Apesar do reconhecimento do crime eleitoral, a inelegibilidade já havia prescrito, o que encerra o caso sem efeitos políticos atuais, restando apenas a aplicação das multas.
Projeto segue sob debate
O impasse gira em torno da desapropriação de uma área de cerca de 3 mil metros quadrados, que deve integrar a estrutura do complexo turístico. A proposta também prevê ampliação da área concedida à iniciativa privada.
Enquanto a BC Investimentos sustenta que o projeto corrige erros do passado e trará retorno financeiro e turístico, vereadores da oposição questionam a prioridade da medida e possíveis impactos indiretos, especialmente pelo uso de potencial construtivo como forma de pagamento.
A discussão deve continuar nas próximas sessões da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, inclusive com a presença de Fábio Fiedler na tribuna para explicar detalhes do projeto aos parlamentares.

