Começou a valer nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida afeta cerca de 19% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano, com impacto estimado entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.

Entre os cerca de 2,3 mil produtos atingidos estão itens dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Santa Catarina está entre os estados mais afetados. Segundo a Federação das Indústrias do Estado (FIESC), 54,5% da pauta exportadora catarinense será impactada pelas novas alíquotas.
Em reunião realizada nesta terça-feira (21), a FIESC e o governo de Santa Catarina criaram um grupo de trabalho para acompanhar os efeitos da medida e discutir alternativas para reduzir os impactos sobre a economia estadual.

Entre as ações previstas estão a avaliação de medidas de apoio às empresas e o fortalecimento da estratégia de diversificação das exportações para novos mercados. Em nível nacional, o governo federal também anunciou linhas de crédito para os setores afetados e medidas para incentivar a ampliação das vendas brasileiras para outros países.
TARIFAÇO
O tarifaço adotado pelo governo Trump baseou-se em um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que alega que o Brasil adota práticas “desleais” no comércio com os Estados Unidos. Os estadunidenses elencaram seis temas para decidir sobre a taxação:
- pagamentos eletrônicos (pix) e regulação de redes sociais;
- desmatamento ilegal;
- acesso ao mercado de etanol;
- combate à corrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- acordos preferenciais com México e Índia.
O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação e argumenta que elas têm motivação política e não condizem com a realidade. Segundo o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, os negociadores dos EUA pediam a abertura total de mercados sem contrapartida.

