O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), apontou que o helicóptero que caiu no Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici, na Serra Catarinense, entrou em uma área de nebulosidade antes do acidente. Na aeronave estavam o cantor Rick e outras quatro pessoas.

A queda ocorreu em 21 de setembro e matou os cinco ocupantes da aeronave. As condições meteorológicas registradas na região incluíam chuva, trovoadas, baixa visibilidade e nuvens que encobriam áreas de montanha.
O helicóptero, modelo Bell 430, decolou do Aeródromo Costa Esmeralda, em Porto Belo, com destino a uma área não cadastrada em São Joaquim. A bordo estavam dois tripulantes e três passageiros.
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Conforme o relatório, a aeronave colidiu com a encosta norte do Morro Convento dos Padres, na Serra da Boa Vista, a aproximadamente 1.686 metros de altitude. Os investigadores tiveram acesso a um vídeo feito por um morador, com registro de horário compatível com o acidente.

As imagens mostram o helicóptero em voo antes de entrar na nebulosidade. O documento também menciona informações meteorológicas que indicavam a presença de um sistema frontal, precipitação e possibilidade de tempestades na região.
A previsão apontava chuva moderada, redução da visibilidade e possibilidade de formação de nuvens de tempestade.
PROBLEMAS TÉCNICOS
O relatório também reúne informações sobre problemas técnicos relatados anteriormente na aeronave. Entre eles estão falhas intermitentes nos geradores, que teriam ocorrido em situações de exposição à umidade, como durante voos em nuvens ou sob chuva.
Segundo os registros, quando um dos geradores deixava de funcionar, o outro mantinha o fornecimento de energia elétrica. O sistema podia voltar a operar após uma reinicialização. Os documentos de manutenção indicam intervenções nos geradores nos meses anteriores ao acidente.
Após um serviço realizado entre abril e maio de 2026, os relatos de falhas teriam passado de problemas em um dos geradores para ocorrências envolvendo os dois equipamentos. O relatório menciona que um mecânico recomendou novas verificações, mas não há conclusão de que essas falhas tenham contribuído para a queda.
Outro ponto analisado é um episódio anterior de vibração anormal durante o voo. O caso foi registrado em março de 2026, durante um pouso em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, a vibração teria cessado após intervenções nos amortecedores de vibração do rotor principal.
Em agosto, uma análise de vibração do rotor apresentou valores dentro dos limites previstos. O documento também registra relatos anteriores de desconexão do piloto automático durante o voo.
Conforme as informações reunidas, os pilotos conseguiam manter o controle da aeronave nessas situações. Um atuador do sistema foi substituído em março de 2026, e não houve novos relatos do problema após a intervenção, segundo os registros apresentados.
CAIXA PRETA
A investigação inclui ainda a análise de equipamentos eletrônicos que podem armazenar informações sobre o voo. Embora a aeronave tivesse um gravador de voz na cabine, os registros recuperados não correspondiam ao voo do acidente.

O helicóptero não era obrigado, pelas regras aplicáveis, a contar com um gravador de dados de voo. Os investigadores tentam extrair informações dos motores e de outros equipamentos eletrônicos, incluindo sistemas de navegação e instrumentos da aeronave.
O CENIPA ressalta que o relatório é preliminar e não determina as causas do acidente. As informações reunidas até o momento servem para orientar o andamento das investigações, que continuam com a análise de fatores humanos, materiais e operacionais. Nenhuma hipótese foi descartada.

