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Pesquisa da Epagri quer garantir produção de mudas de morango mais baratas e de alta qualidade

  • 11/06/2026
  • Redação Menina Blu

Todo agricultor sabe que o sucesso da produção passa pelas sementes e mudas da espécie cultivada. Para atender uma demanda dos produtores brasileiros de morango, a Estação Experimental da Epagri em Urussanga, no Sul do estado, iniciou uma pesquisa com o objetivo de desenvolver um sistema de produção nacional de mudas de morango de alta qualidade e com custos reduzidos.

O estudo tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) e está sendo coordenado pelo engenheiro-agrônomo e pesquisador da Epagri, Francisco Olmar Gervini de Menezes Júnior. São colaboradores o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense em Rio do Sul e a Universidade Estadual de Londrina (UEL-RR). O prazo para conclusão da pesquisa é abril de 2028. 

O resultado do estudo pode mudar uma realidade bastante controversa para os produtores nacionais de morango. Segundo Gervini, hoje o Brasil é dependente de cultivares desenvolvidos principalmente nos Estados Unidos, na Espanha e na Itália. A grande maioria das mudas importadas vem do Chile, da Argentina e da Espanha, que produzem as plantas sob pagamento de royalties para os países de origem dos cultivares. 

Qualidade baixa, custos elevados

Neste cenário, as mudas de morango chegam aos produtores nacionais com valores bastante elevados, em torno de R$ 2,20 a unidade (2024). Um levantamento da Epagri mostra que os gastos só com as mudas chegam a R$220 mil por hectare em cultivos no solo e R$246,4 mil por hectare em cultivos fora do solo (semi-hidropônicos e hidropônicos). A evasão de divisas com a importação é de R$300 milhões. 

Santa Catarina tem mais de 1500 produtores de morango (Foto: Fabrícia Duarte/Arquivo Pessoal)

Há viveiristas nacionais, mas os produtores de morango se queixam da má qualidade das plantas. Segundo Gervini, existem casos de agricultores que chegaram a comprar 50% de unidades a mais para compensar o alto índice de mudas que acabam morrendo. Por conta disso, muitos preferem importar, apesar dos custos elevados e de problemas logísticos, como a entrega fora do período recomendado para o plantio. 

As estatísticas mais recentes estimam que haja mais de 1,5 mil propriedades que cultivam morango em Santa Catarina. O valor de produção agropecuária da fruta no estado gira em torno de R$100 milhões anuais. Para Gervini, há espaço no mercado de morango tanto para o incremento dos atuais negócios quanto para o surgimento de novos empreendimentos. 

“O desenvolvimento de um sistema de produção nacional de mudas de morango vai permitir o surgimento de viveiristas nacionais com produção de alta qualidade, a disseminação de cultivares nacionais e a aquisição de mudas pelos agricultores a um menor preço e no momento correto de transplante. Isso trará benefícios a toda a cadeia produtiva do morangueiro”, projeta o pesquisador.

Plantas vigorosas e sadias

O casal de produtores Fabrícia Duarte Silva e Vilson Silva, de Içara, no Sul do Estado, cultiva morango há nove anos e costuma comprar as mudas da Argentina e da Espanha. “O preço subiu bastante, pagamos R$ 2.390,00 o milheiro. Trocamos oito mil pés neste ano, então, foram quase R$ 20 mil só em mudas, um investimento para dois, no máximo três anos, tempo em que fizemos a troca das plantas”, conta Fabrícia. 

Ao todo, o casal tem 13 mil pés de morango, uma lavoura considerada pequena, segundo a agricultora. Ela diz que já procurou viveiros nacionais, mas observou que os valores não diferem muito das mudas importadas. Além disso, prefere não arriscar já que a qualidade das plantas que têm comprado é boa e teme fazer a troca de fornecedor e ter problemas com sanidade. “Aqui no município já teve um produtor que perdeu mais de 200 mil mudas”.

Produtora Fabrícia Duarte Silva, de Içara, compra as mudas da Argentina e da Espanha (Foto: Arquivo Pessoal)

Pesquisas constantes

A Epagri é pioneira no desenvolvimento do cultivo semi-hidropônico do morangueiro em Santa Catarina. Desde 2015, a empresa vem investindo nessa modalidade, que já representa 72% da produção de morango no estado. As vantagens são otimização da mão de obra, maior controle no manejo de água e nutrientes e redução da incidência de doenças e pragas e do uso de agrotóxicos. 

Até o momento, as pesquisas da Epagri se concentraram nas etapas relacionadas ao sistema de produção das lavouras de morango. Foram feitos estudos para definir o melhor espaçamento entre as plantas, os substratos mais adequados e o correto manejo nutricional de diferentes cultivares de morango. Além disso, em parceria com a UEL-PR estão sendo registrados dois novos cultivares junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Esses novos cultivares são fruto de uma parceria da Epagri com a Rede Morangos do Brasil, da qual a empresa faz parte. A instituição engloba mais de 16 organizações de renome nacional e internacional. Com a atual pesquisa, o objetivo é possibilitar o acesso dos produtores de morango a mudas produtivas, e frutos de qualidade (com melhor aroma e sabor) e com menor preço. 

No momento, os pesquisadores vão avaliar genótipos desenvolvidos no Brasil, Uruguai,  Estados Unidos e Itália. Os estudos vão levar em consideração a produção, a qualidade dos frutos (sabor) e a questão fitossanitária. “Pretende-se que as mudas de alta qualidade cheguem aos agricultores com custo 50% inferior aos praticados atualmente, reduzindo a dependência de genótipos estrangeiros e o custo de produção”, afirma Gervini.

Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99161-6596


Fonte: Agência de Notícias do Governo de Santa Catarina

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