A Polícia Científica de Santa Catarina concluiu o laudo pericial sobre a morte de Maria Luiza Bogo Lopes, ocorrida no início de abril. O documento aponta uma série de desvios nos protocolos de atendimento prestados pelo Hospital Beatriz Ramos, em Indaial. Segundo a perícia médico-legal, a unidade de saúde falhou ao não seguir os protocolos assistenciais vigentes para gestantes com quadro de síndrome febril aguda.

Entre os pontos mais críticos destacados pelos peritos está a ausência de triagem diagnóstica para dengue, mesmo diante do quadro clínico apresentado pela paciente. Além disso, o laudo ressalta que Maria Luiza recebeu altas hospitalares sucessivas, apesar de apresentar sinais progressivos de gravidade clínica que indicariam a necessidade de internação ou monitoramento rigoroso.
Inconsistências nos Prontuários
De acordo com a polícia, a perícia constatou “inconsistência técnica” nos prontuários, onde aparecem solicitações formais de exames laboratoriais, mas não constam os respectivos resultados. Os peritos explicaram que, em sistemas de prontuário eletrônico, o pedido do exame e o seu resultado formam um “par indissociável” para a análise técnica.
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Diante da falta de clareza nos documentos entregues, a perícia recomendou que a Polícia Civil solicite os registros eletrônicos brutos (logs do sistema) do Hospital Beatriz Ramos. O objetivo é cruzar os dados e verificar o que de fato foi processado no sistema durante o atendimento da gestante.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Indaial. O Hospital Beatriz Ramos afirmou em nota que desde a ocorrência, iniciou imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos.

