Itajaí vai ter mais de 3,3 mil pontos de soltura de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. A marca foi confirmada nesta terça-feira, 4, após as equipes da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DVE) finalizarem o reconhecimento de campo nas áreas que receberão a nova tecnologia de combate à dengue.
Ao todo, foram validados 3.338 pontos, distribuídos nas regiões incluídas pelo programa. Cada local receberá cerca de 150 mosquitos durante as liberações, que serão feitas de forma planejada e monitorada por técnicos.
A vistoria desta terça foi a etapa final antes do início da operação. Os servidores percorreram as rotas previstas simuladas a soltura e checaram possíveis dificuldades, como ruas sem acesso para veículos e outros pontos críticos. O objetivo, segundo a DVE, é ajustar a localização de cada ponto para evitar contratempos na hora da liberação.
Nesta etapa inicial, o método Wolbachia, que é uma estratégia biológica de controle do mosquito, foi anunciada no início de julho para implantação e será nos bairros Cidade Nova, São João, São Vicente e Cordeiros. A previsão é que os mosquitos com a bactéria Wolbachia comecem a ser liberados entre o fim de agosto e o início de setembro.
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O método consiste na introdução da bactéria Wolbachia no Aedes aegypti. Presente naturalmente em 60% dos insetos, mas não no mosquito da dengue, o microrganismo impede que os vírus da dengue, zika e Chikungunya se multipliquem no organismo do Aedes. Ela também é transmitida para as próximas gerações, fazendo com que a população local do mosquito perca, com o tempo, a capacidade de transmitir doenças.
A tecnologia já é usada em várias cidades do Brasil. Em Santa Catarina, Joinville foi a pioneira e virou referência estadual, reduzindo cerca de 99% dos casos de dengue com a soltura dos mosquitos. Os resultados positivos lá abriram caminho para a expansão em outros municípios, entre eles Balneário Camboriú, que teve projeto iniciado em agosto de 2025 e já obteve uma redução de 89%. Em 2026, onde somente 11 casos foram registrados entre janeiro e julho.
Além da soltura, Itajaí terá um laboratório próprio para cultivo dos mosquitos com Wolbachia. A estrutura vai dar suporte ao programa e fortalecer a capacidade técnica do município em pesquisas e vigilância em saúde.
A Prefeitura reforça, no entanto, que a nova tecnologia não substitui os cuidados da população. A eliminação de água parada em vasos, pneus, calhas e outros recipientes continua sendo a principal ação para impedir a proliferação do Aedes aegypti.
Matéria por: Damy Fernandes – estagiária de Jornalismo (sob supervisão)
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